The Joker’s Box: We Are The Fallen – “Tear The World Down”

A história do We Are The Fallen começa em 2003 com a saída de Bem Moody, do até então queridinho da América, o Evanescence, que tinha acabado de lançar o multi-platinado “Fallen”, emplacando hits nas rádios e MTV’s como “Bring Me To Life” ou “Going Under” (quem não se lembra, heim?). Ironicamente, impactados com as novas direções musicais que a banda vinha tomando, Jon LeCompt e Rocky Gray também resolvem mudar de rumo e deixam o Evanescence (que depois disso, deu uma sumida dos holofotes). Ben Moody então, recruta LeCompte e Gray para formar uma nova banda, que remetesse ao estilo inicial de sua antiga banda. Aliado a isso, Moody conheceu Marty O’Brien (baixista) e formou a estrutura da banda, porém, sem uma voz definida ainda. Por um acaso do destino, ele foi apresentado por uma amiga em comum a Carly Smithson, participante (e finalista) do famoso American Idol, que estava cada vez mais descontente com a linha musical do programa, pois ficava limitada a algumas sonoridades, sem poder expressar a sua vontade criativa e mais de acordo com seus gostos pessoais, muito parecidos com do resto da banda. Sendo assim, em 2009, a banda se mostrou para o mundo através do single “Bury Me Alive”, uma música forte e marcante, demonstrando a completa similaridade com a banda de Amy Lee e compania, levando-os a um contrato com a major Universal Music. Com todo esse apoio de marketing e verba, então, a banda pode investir no lançamento do seu debut, seguido já por singles e vídeos em todas as esferas de mídias sociais, incluindo uma turnê pelos EUA.

Lançado no dia 11 de Maio, “Tear The World Down” já vem recebendo duras críticas pela similaridade com o Evanescence, o que é facilmente explicável: são três ex-membros, mais uma vocalista relativamente famosa, é mais do que evidente que eles não iriam arriscar logo no debut a fazer um som muito diferente, que pudesse desagradar os fãs, a crítica ou até mesmo a gravadora. E mesmo assim, podemos identificar umas boas diferenças, inclusive se compararmos as vozes: Carly Smithson tem uma voz bem mais forte e dinâmica, conseguindo se afastar um pouco da suavidade hipnótica de Amy Lee. No quesito instrumental, a banda é bem mais puxada para o Gothic Metal, com pitadas mais modernas, sem descambar para o New Metal, nem artificialidades comerciais e forçadas, principal fator que fez a qualidade de muitas bandas mainstream sumirem da história.

A banda resolveu abrir o álbum com o primeiro single “Bury Me Alive”, o que talvez seja algo meio arriscado. No mercado atual, principalmente, quem compra os álbuns é na espera de ver a música que toca incessantemente nas rádios, então, colocá-la como primeiro talvez possa interferir de forma negativa na vontade das pessoas de ouvir o restante do álbum, principalmente porque, o restante é bem mais dinâmico, fugindo um pouco da comercialidade. “Burn” a segunda música, é uma voadora na nuca do fã mainstream, lembrando em MUITO a sonoridade que o Evergrey fez nos últimos álbuns e Carly canta de uma maneira bem… Heavy Metal (?), tendência que segue nas próximas músicas. A terceira, “Paradigm” mantém o peso, mas se assemelha mais aos trabalhos que as bandas de Gothic passaram a fazer de uns anos prá cá, ou seja, consegue atingir tanto o fã passivo quanto o mais exigente, sendo que o único porém aqui é que ela cantou muito igual a Amy Lee, forçando demais os graves, diferente da seguinte pseudo-balada “Don’t Leave Me Behind”, cujo refrão é pegajoso demais até. Assim que “Sleep Well, My Angel” começou a tocar aqui, me veio a mente: “My Immortal”. A música totalmente conduzida no piano do We Are The Fallen, porém, consegue ser ainda mais suave com a voz de Carly Smithson dobrada, gerando um efeito muito legal, contrastando completamente com “Through Hell”, uma música com influências mezzo-eletrônicas mezzo-New Metal, e tem um refrão meio… The Calling (what?), mas é uma das mais interessantes do álbum. “I Will Stay” não tem nenhum atrativo em especial e acaba sendo apenas mais uma baladinha para adolescentes chorosas. “Without You”, por outro lado, é a mais interessante, lembrando incomodamente a sonoridade que o Nightwish adotou em “Once”, um refrão marcante e o piano desempenhando seu papel de forma brilhante, assim como em “St. John”, que voltar a apresentar uma sonoridade próxima do Evergrey e um que de Sentenced, até, com linhas vocais cheias de efeito, totalmente hipnóticas. O disco encerra com “I Am Only One”, outra balada no piano, tendo como único diferencial o jogo de vozes, e a faixa-título, com várias mudanças de andamento, várias idéias jogadas em uma música só, mas que acabam se encaixando e se tornando a mais legal do álbum todo, despertando o interesse de uma gama diversificada de possíveis fãs.

No fim das contas, o álbum é bem legal. Não traz nada de novo e soa socialmente comercial, como deve ser, ou seja, cumpre bem o seu papel. Por outro lado, parece que a banda tem uma certa vontade de experimentar sonoridades novas, então resta ficar de olho para acompanhar como serão os novos trabalhos dela.

E ah, Carly Smithson é gata prá caral**.

01. Bury Me Alive
02. Burn
03. Paradigm
04. Don’t Leave Me Behind
05. Sleep Well My Angel
06. Through Hell
07. I Will Stay
08. Without You
09. St. John
10. I Am Only One
11. Tear The World Down

Nota: 8

Bons sonhos, crianças.

~ por Rroio em 15/05/2010.

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